O Poder Judiciário de Rondônia realizou duas celebrações de casamentos comunitários adaptados às tradições indígenas, beneficiando 34 casais dos povos Ikolen, Arara, Zoró e Suruí nas aldeias Ikolen e Amaral. As cerimônias, integradas à Operação Justiça Rápida Itinerante, ocorreram na noite de 26 de junho de 2026 na Terra Indígena Igarapé Lourdes, próxima a Ji-Paraná, e na manhã de 27 de junho de 2026 na Terra Indígena Sete de Setembro, próxima a Cacoal. Com tradução simultânea para o tupi-mondé, pinturas corporais, cocares e elementos culturais, os eventos converteram uniões estáveis em casamentos civis e garantiram documentação legal aos participantes.
Cerimônias respeitam saberes ancestrais
Os juízes Oscar Francisco Alves Junior, Maximiliano Darcy David Deitos, João Valério Silva Neto e Luciane Sanches, acompanhados do desembargador José Antonio Robles, conduziram as ações com adaptações culturais. Na aldeia Ikolen foram contemplados 20 casais e na aldeia Amaral outros 14, após triagem que incluiu 25 audiências. A decoração tradicional e a presença de caciques marcaram os momentos, reforçando o respeito aos modos de vida das comunidades.
Além dos casamentos, as equipes ofereceram assistência jurídica para resolver questões civis e promover inclusão em políticas públicas. Os casais Manequito Gavião e Ermínia Arara, além de Luciana e Leidiane Arara, participaram ativamente das celebrações, que visam assegurar segurança documental e direitos sociais.
Autoridades destacam aproximação e direitos
Busquei aprender porque poder falar diretamente ao povo, no idioma deles, é uma forma de aproximação e respeito.
Oscar Francisco Alves Junior
Nosso papel é ouvir a comunidade e atender suas demandas, tratando de questões fundamentais para a vida civil.
José Antonio Robles
Após uma cerimônia, ganhei este cocar do cacique, que me disse para usá-lo sempre que pisar neste solo sagrado. Esse reconhecimento mostra a importância do trabalho da Justiça. Atendemos a um pedido dos próprios indígenas, porque a documentação traz segurança jurídica, mais direitos sociais e integra a comunidade em projetos e políticas públicas.
Maximiliano Darcy David Deitos
O objetivo geral é garantir a todos os cidadãos que exerçam seus direitos e assegurem também o futuro de suas gerações.
João Valério Silva Neto
Depois da triagem, foram realizadas 25 audiências. Destas, 14 famílias optaram por converter união estável em casamento. Representar o Judiciário neste momento é muito satisfatório; levar segurança jurídica para essas pessoas faz a diferença em suas vidas.
Luciane Sanches
As iniciativas reforçam o compromisso do Judiciário rondoniense com a inclusão e o acesso igualitário à justiça, respeitando a diversidade cultural dos povos originários da região.