Uma pesquisa do sociólogo Douglas Alexandre Santos aponta que aplicativos de entrega no Brasil exploram a disposição de jovens a assumir riscos no trânsito, vistos como provas de masculinidade. Os dados do IBGE de 2024, combinados com relatos de trabalhadores, mostram que plataformas priorizam rapidez e incentivam comportamentos perigosos entre entregadores.
Pesquisa revela padrões de risco entre jovens
O estudo analisa informações do IBGE sobre trabalhadores de aplicativos e destaca relatos de exaustão, acidentes e desrespeito às regras de trânsito. Em São Paulo, especialmente na avenida Paulista e na região de Brasilândia, entregadores enfrentam pressão constante para cumprir prazos curtos.
Plataformas como iFood, 99Food e Keeta são citadas como principais atores que valorizam a velocidade acima da segurança. O sociólogo Douglas Alexandre Santos explica que muitos jovens veem a capacidade de correr riscos como forma de afirmar masculinidade no ambiente de trabalho.
Relatos de entregadores confirmam pressão diária
Matheus da Silva Pérez, de 22 anos, descreve como a atividade se tornou sua principal fonte de renda. Ele relata ter optado pelo trabalho após perceber o potencial de ganhos maiores em comparação com empregos formais.
Vi que eu não precisava mais trampar em lugar nenhum quando vi que conseguia fazer muito mais dinheiro com entrega.
Matheus da Silva Pérez
A situação descrita permanece atual, com dados de 2024 indicando que o modelo de operação das plataformas continua a incentivar atitudes de risco entre os trabalhadores mais jovens.