Durante a cúpula do Mercosul realizada em Assunção, no Paraguai, na terça-feira, 30 de junho de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o início de negociações comerciais do bloco com a China e defendeu maior autonomia na política externa regional. O encontro reuniu os presidentes da Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai, além de tratar de temas como revisão de cotas no acordo com a União Europeia e solidariedade a países vizinhos.
O anúncio de Lula ocorre em um momento de busca por novos parceiros comerciais que diversifiquem as relações do Mercosul. Os líderes presentes discutiram estratégias para equilibrar os benefícios internos do bloco e evitar dependências externas.
Negociações com a China ganham destaque
O presidente brasileiro enfatizou a importância de abrir diálogos sem alinhamentos automáticos. A decisão de iniciar conversas com a China foi apresentada como uma medida estratégica para ampliar oportunidades de comércio entre os países do bloco.
O Mercosul vai iniciar negociações com a China. Não podemos ter medo de negociar com ninguém. Não podemos ter alinhamento automático com ninguém.
Lula
Os demais presidentes acompanharam as declarações e manifestaram apoio à iniciativa, que visa fortalecer a posição do Mercosul no cenário global.
Revisão de cotas no acordo com a UE
O presidente paraguaio Santiago Peña cobrou ajustes nas cotas do acordo com a União Europeia para garantir maior equidade entre os membros do bloco. Ele destacou a necessidade de evitar assimetrias que afetem países menores.
Precisamos revisar as cotas para que o acordo seja justo para todos os membros do Mercosul. Não podemos aceitar assimetrias que prejudicam países menores.
Santiago Peña
Além disso, os líderes expressaram solidariedade à Venezuela e apoio ao presidente boliviano Rodrigo Paz, reforçando a cooperação regional em temas políticos e econômicos.