O home office e o modelo híbrido de trabalho consolidaram-se em Rondônia, mas a dependência de uma internet estável tem gerado consequências diretas para profissionais em Porto Velho, onde instabilidades de conexão já resultaram em advertências e demissões por afetar a produtividade e o cumprimento de metas.
Responsabilidade pela infraestrutura recai sobre o trabalhador
Gestores de equipes remotas em empresas de tecnologia e multinacionais com presença no estado relatam que quedas de sinal causam atrasos em entregas, interrupções em reuniões e quedas de chamadas. Sem uma lei específica que regulamente o tema, as companhias transferem ao colaborador a obrigação de manter conexão de qualidade para sustentar o ritmo de trabalho.
Cláusulas contratuais costumam exigir participação integral nas atividades e cumprimento de prazos. Quando a internet impede isso de forma recorrente, a situação é interpretada como inadequação ao modelo remoto, abrindo caminho para medidas disciplinares.
Se for eventual, a gente entende. Mas quando vira rotina, começa a afetar a produtividade da equipe inteira. Já tivemos casos em que o funcionário foi advertido e, depois de repetidas ocorrências, acabou sendo desligado
Gestor de uma empresa de tecnologia em Porto Velho
Empresas buscam soluções para manter a produtividade
Algumas organizações oferecem ajuda de custo para melhorar a infraestrutura doméstica ou adotam modelos híbridos mais flexíveis. Outras mantêm a exigência de conexão estável como condição para permanência no cargo, já que o ônus de comprovar negligência recai sobre o empregador.
Trabalhadores relatam que o problema se transformou em custo fixo inevitável. A pressão para evitar interrupções aumenta a cada dia, especialmente em funções que dependem de videoconferências e entregas em tempo real.
No contrato não está escrito que cair na reunião é motivo de demissão, mas está escrito que o funcionário deve cumprir metas, prazos e participar integralmente das atividades. Se a internet impede isso de forma recorrente, entra no campo da inadequação ao modelo remoto
Gestora de uma multinacional com filial em Rondônia
Virou um custo fixo do home office. Ninguém quer perder o emprego por causa de uma queda de sinal
Analista que atua remotamente há três anos