O governo da Itália anunciou na sexta-feira, 31 de julho de 2026, a suspensão do acordo de livre circulação com a Espanha, determinando o fechamento imediato das fronteiras aéreas e marítimas e a retomada de inspeções em viajantes provenientes do território espanhol.
Crise migratória em Ceuta
A medida italiana surge em meio a uma onda migratória sem precedentes que atingiu o enclave espanhol de Ceuta, no norte da África. Nas últimas semanas, cerca de 60 mil pessoas vindas de Marrocos tentaram cruzar para o território europeu, resultando em mais de 50 mortes durante a travessia. O pico da crise ocorreu na quinta-feira, 30 de julho, quando o fluxo de migrantes aumentou significativamente e gerou reações negativas de vários países da União Europeia.
Autoridades espanholas tentam conter a situação, mas o primeiro-ministro Pedro Sánchez já alertou para os riscos de fragmentação continental. Ele destacou que este não é o momento de criar mais divisões entre os membros do bloco.
Medidas adotadas pela Itália
O Ministério do Interior italiano, sob o comando de Matteo Piantedosi e com aval da primeira-ministra Giorgia Meloni, justificou a decisão com base no Acordo de Schengen, que permite controles temporários em caso de ameaça à ordem pública. As fronteiras aéreas e marítimas foram fechadas, e inspeções foram retomadas para todos os viajantes oriundos da Espanha.
A Itália argumenta que a imigração clandestina representa uma ameaça concreta à segurança das fronteiras da União Europeia. O comunicado oficial ressalta que o país não pode ignorar o impacto do fluxo migratório descontrolado sobre sua capacidade de recepção e segurança interna.
Respostas dos governos envolvidos
O governo espanhol, liderado por Pedro Sánchez, manifestou preocupação com o endurecimento das políticas de fronteira e busca diálogo com os parceiros europeus. Enquanto isso, a crise em Ceuta continua a gerar tensão diplomática entre Madri e Rabat, com reflexos diretos nas relações intraeuropeias.
Especialistas observam que a decisão italiana pode influenciar outros países do bloco a adotarem medidas semelhantes, ampliando o debate sobre a gestão migratória na região. Até o momento, não há previsão de quando as fronteiras serão reabertas.